De um tempo, à esta parte, uma palavra tem sido utilizado com muita frequência, para qualificar algumas pessoas (depois do falecimento), de um certo grupo ou estrato, em prol de certas actividades levadas a cabo por eles, durante um determinado período de suas vidas. *PATRIOTA* .
O que é ser patriota?Segundo consulta ao dicionário de língua portuguesa: *Patriota*: "pessoa que manifesta orgulho e amor pela pátria".
Isso quer dizer que todos aqueles que de uma ou de outra maneira (positiva, é claro!) manifestar amor por esta martirizada terra, é um angolano patriota.
No entanto, esta palavra foi (tem estado a ser) utilizada de tal maneira decriminatoria, abusiva até "aqui no nosso burgo", que tem levado as pessoas a questionarem-se.
Em Angola, quem é de facto "patriota"?
Por esta terra, muitos lutaram, deram o melhor de si, derramando o seu próprio sangue, durante o período colonial, na primeira luta de libertação nacional, na clandestinidade nas cidades, na guerra civil, na guerra contra o exército racista Sul Africano). Se fossemos a inumerar quantos por este país tombaram, veremos que a lista não teria fim, aliás esta terra (Angola) é feliz porque muitos são os seus filhos, mártires, que por ela se sacrificaram, e tombaram com um sorriso nos lábios, certos que o seu sangue derramava-se por um bom propósito, esperando que isso fosse regar a terra Angolana, para unidade de seus irmãos e melhoria das suas vidas. O escritor e dramaturgo alemão "Belzoth" afirmara que "pobre é a nação que não tem heróis".
Sim, nas várias manifestações anti-coloniais, colectivas ou isoladas, em todos os movimentos de libertação, encontramos inúmeros relatos de verdadeiros sacrifício, amor e entrega a pátria.
Mas o que se tem visto é que somente alguns, (de um grupo ou estrato), são honrados e prestigiados com esse adjectivo, enquanto que outros, que em muitas situações desempenharam papéis mais preponderantes e decisivos em vários aspectos da nossa trajectória, não são assim considerados. Por conseguinte, são até discriminados quanto aos cemitérios para serem sepultados e inclusive na toponímia nas cidades (isso já nem se fala, escandaloso!). Não faz muito tempo que o falecido recentemente falecido jovem Sérgio Rescova, (não tenho nada contra ele!), mereceu que o seu nome fosse dado a uma das estradas, bem populosa, da cidade de Luanda, (inicía na Retunda do Camama, ou seja no viaduto, até ao antigo Largo da Fubu, (agora denominado também, "Largo da Juventude").
Está situação causou espanto e comentários de muitos cidadãos, pelos feitos do mesmo, e a rapidez da "nomeação da estrada, em seu nome. A pergunta era se justifica-se. Quantos fizeram mais e não mereceram tamanho reconhecimento? Porquê ele? Isso deve ser devidamente explicado aos citadinos.
Não será isso uma manifestação de injustiça, de exclusão, de divisionismo, de separatismo?
Muitos dos elementos (nomes) pertencentes a esse grupo (os preferênciais patriotas) têm conduta duvidosa, dúbia, e enquanto vivos, não foram reserva de moral, de civismo e ética, para ninguém. Muitos até, delapidaram o horário público e tiveram atitudes condenáveis, privaram muitos de nós daquilo que nos é de direito, nos momentos mais dificeis, em que a nação mais lisura exigia, prejudicando com as suas atitudes inúmeros angolanos.
Afinal, quais são os critérios, em Angola, para determinação dos nossos heróis, os nossos patriotas?
Quem e que idoneidade têm de excluir angolanos que realmente, como verdadeiros heróis, deram as suas vidas pela nossa querida pátria?
Uma coisa é verdade, que se realizassemos um verdadeiro estudo sobre as actividades de cada um, sem lisuras, certamente que mais de metade dos nomes (não interessa sita-los!) que hoje afiguram-se como heróis e patriotas, que figuram nas toponímicas das cidades deste país, seriam retirados ou substituídos.
Ainda vamos a tempo de reconhecer, através de um quadro " Quadro do herói Nacional" onde a nação agradece a todos os heróis que por ela tombaram, e transcreveremos os seus nomes, sem distinção de grupos, região, partidos, como se faz em muitos países do mundo, nos EUA, por exemplo. Assim começariamos por apagar esse nefasto sentimento de que só os de certo grupo ou agremiação "merecem serem reconhecidos".
É tempo de pararmos com as separações, exclusões, descriminaçoēs.
“Unidosseremos mais fortes”.
Kuxixima Kwamy
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