As oportunidades na nossa terra

Bom dia caros irmãos, camaradas e concidadãos.

01 August 2026 5 min read
As oportunidades na nossa terra

Hoje, despertei alegre, cantarolando de felicidade por mais um dia de vida. Após a minha "oração matinal", onde agradeço a "Deus, todo poderoso" por abençoar esta terra, se bem que nos deu a "desdita" dos homens (nossos irmãos, dirigentes ou seja governantes e seus sofismas) em não proporcionar o bem estar para o nosso povo, pese embora as condições (em termos de riqueza nacional) que têm estado a usufruir nas últimas décadas.

A minha alegria desmoronou-se pouco depois, e uma imensa tristeza e nostalgia se apossou do meu ser, quando a Euronews (que faço questão de acompanhar, todas as manhãs) apresentou o vídeo que circulava, do momento de assassinato (na Itália), de um emigrante e vendedor ambulante, de origem Nigériana), de princípio sem motivos que justificassem semelhante acto. Doeu imenso ver o homem negro, de 39 anos de idade, sendo asfixiado por outro homem, branco, de 32 anos de idade (que pareceu-me ser conhecedor de "arte de lutas"). O defunto ficou (notava-se no vídeo) exausto e após um daqueles violentos "cafriques", (com se diz na gíria, aqui na banda) lutou pela vida, até que esta se apagou (sucumbiu), naquela manhã fatídica. O homem morreu, sem que qualquer um dos inúmeros transeuntes, que testemunharam o que ocorria, se dignasse intervir, socorrendo o homem, que de certeza, tinha família (esposa e filhos) e saíra para conseguir uma refeição para eles.

Pensei nos meus irmãos, filhos, parentes, conterrâneos, etc, que são (foram) forçados a emigrar. Não poderia, aquele defunto, ser um deles?

Várias perguntas martelam a minha mente:

- Porquê que coisas dessas acontecem?

- O que justifica uma acção dessas? Ódio? Porquê?

- Porquê que um nigeriano, pai de família, abandona a sua terra e transforma-se num vendedor ambulante na Itália?

- Quais são as oportunidades (o que é feito) para os jovens (africanos) nos seus países de origem, de maneiras que se evite a emigração?

- *E aqui em Angola, qual é o cenário?* Nós que temos um respeito "sem precedentes" para com os estrangeiros que por diversos motivos por aqui aportam, permitindo-lhes "de tudo", "mas tudo", em detrimento dos nossos irmãos?

                           *

Aqui na nossa terra, infelizmente, nada tem sido feito no sentido de dar uma oportunidade as pessoas para  realizarem-se, nos vários aspectos da vida social. A nossa juventude, desesperada, enche as embaixadas dos países europeus, no sentido de obterem os vistos, para  lá se refugiarem, a busca de uma vida normal, onde se pode trabalhar e viver honestamente, com dignidade ("pelo menos a de um cão", como desabafou um jovem, mecânico industrial de profissão) fruto do seu esforço. Sim os jovens fazem de tudo para obtenção do visto de entrada num país europeu, dada a falta de tudo na nossa terra (emprego, saúde, formação, saneamento, empréstimos bancários, etc), que pudesse contribuir para uma vida digna. Eles (os jovens) fazem até o "impossível" para obterem esse visto, mas as embaixadas "não facilitam", criando inúmeras dificuldades.

No entanto, o que os espera numa Europa (que também têm os seus problemas, incluindo o desemprego, com países com índices acima dos 10%, racismo e outros tipos de descriminação)?

A verdade é que a governação nos nossos países têm sido tão catastróficas, que tem como consequência o grande indicie de emigração, muitas vezes em condições inapropriadas, e daí as mortes no mar mediterrâneo, cemitério exclusivamente para africanos "havidos" de melhorias e "sonhando o futuro" que lhes é negado na sua terra.

Até os jogadores de futebol, que supostamente assinam os contratos "chorudos" que beneficiam os seus clubes e concequentemente as suas economias europeias, são vítimas de racismo e outros tipos de descriminação.

Este continente (africano) tem de tudo, menos homens com mentes sãs, políticos honestos e coerentes capazes de discernir que devem amar os seus povos,  irmãos, para eles (e com eles) trabalhar, usando os recursos existentes (dos minerais raros, as terras aráveis, recursos hídricos e energético, agricultura, etc). Daí as convulsões, golpes de estados, etc, que se vulgarizam neste continente, naturalmente, instigados pelos próprios europeus. As consequências estão aí, o "cemitério/mar mediterrâneo".

 *Em termos de oportunidades, o que espera os  jovens na Europa?*

É claro, o trabalho considerado baixo ou sujo, aquilo que eles não querem (desprezam) fazer, como  limpeza de pisos ou edifícios (building clinning ), lavar e transporte de cadáveres, transporte, descarregamento (mercadorias, muitas delas perigosas), matadouros, etc.

Há chefes de famílias (homens e mulheres) que em países como Portugal, (por exemplo), dormem somente, cerca de 4 horas por dia, têm uma "vida tão dura", trabalhando diáriamente em mais de um emprego, muitas vezes em condições adversas, com o objectivo de pagar a renda de casa (até porque dificilmente ganham mais que o salário mínimo em cada dos empregos) e fazerem face as despesas básicas, para que não falte "o mínimo" na educação de seus filhos, longe da pátria, do seu habitat,  de familiares, amigos, etc., que lhe poderiam dar um apoio, um incentivo moral. Ante as dificuldades, muitos dos jovens, desesperados, se inclinam para os maus hábitos, como furtos, consumo e negócios de drogas ("mulas"), etc.

Em Angola, estamos as portas de mais um pleito eleitoral. A população, saturada, anseia por mudanças, como de "pão para a boca".*No final, mudará alguma coisa?* Mil  promessas pairam no ar, vindas de todos os lados, sempre foi assim. *De um lado, os mesmos "parlapiers" (de causar frustração!) de sempre, dos que anseiam perpetuar-se no poder (e para isso tudo é permitido) e de outro lado, os aspirantes a governação, que vão prometendo, prometendo "até o quase impossível*". No final alguma coisa mudará? Digo e repito, *"tenho as minhas dúvidas!"* No final continuaremos com "as nossas frustrações" e a tentar emigrar, enquanto que os delapidadores do herário público continuarão como sempre estiveram, porque falta-nos consciência nacional, patriotismo, o compromisso com a nação, com a pátria. Sim, falta-nos tudo, menos  a indecência para com os compatriotas.

Enquanto procuramos onde teremos perdido a "decência", a pátria espera! Sim, ela (a pátria), que espere, dizem, porque os bancos europeus e paraísos fiscais chamam pelos nossos cifrons (€)!

Kuxixima Kwamy 

 

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